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Brasília recebe Seminário de Educação da Medicina Veterinária nos dias 6 e 7/5
Temas como síndrome de Burnout, estresse laboral e novas diretrizes curriculares para a Medicina Veterinária compõem a programação do XXIV Seminário Nacional de Educação da Medicina Veterinária (Senemev), nos dias 6 e 7 de maio, em Brasília. Com o tema Educação Veterinária de qualidade: uma construção conjunta, o evento abordará tópicos relacionados à saúde mental de docentes e estudantes, além da discussão de temas voltados à formação de futuros médicos-veterinários.
Programação do primeiro dia prioriza saúde mental
No primeiro dia, a agenda será predominantemente voltada à saúde mental do profissional. Os psicólogos Cloves Amorim e Claudia Menegatti, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) abordarão processos de autocuidado, resiliência e zelo, pelo desenvolvimento de competências socioemocionais desde a vida estudantil. Eles ministrarão palestras e uma oficina no Senemev.
A ideia é começar pelos fatores de risco e estratégias de prevenção, para depois debater a situação específica da saúde mental de médicos-veterinários, tanto no meio acadêmico quanto nas demais áreas de exercício profissional. “Conversei informalmente com alguns profissionais, para saber sobre as experiências mais estressantes do dia a dia. Abandono, maus-tratos e até abuso sexual são fontes constantes de estresse, bem como a escolha do tutor pela eutanásia”, comenta Amorim, que é especialista em Bioética e Cuidados Paliativos (Universidade Complutense de Madri) e desde 2000 pesquisa sobre a Síndrome de Burnout.
O psicólogo afirma que com autoconhecimento é possível identificar o sofrimento, que se mostra por meio de alterações físicas, cognitivas e fisiológicas, como mudanças de sono, apetite, irritabilidade e perda de libido. Prática regular de atividade física, reeducação alimentar, avaliar o consumo de álcool, tabaco e outras drogas são meios de evitar excessos, bem como técnicas que ajudam no equilíbrio mental e bem-estar, a exemplo de relaxamento, ioga e mindfullness – estilo de meditação que busca um estado mental de controle da capacidade de se concentrar nas experiências e sensações do presente.
Amorim ressalta, ainda, a importância dos exames de rotina e da implementação de políticas de saúde do trabalhador nas empresas, bem como uma avaliação com psiquiatra, psicólogo, clínico-geral ou médico do trabalho para obter o diagnóstico correto. “A falta dessa avaliação pode gerar um grau de desespero, depressão e dependência química que podem desencadear o suicídio, que para o sujeito é a busca por alívio imediato”, alerta Amorim.
Acreditação dos cursos de graduação
O XXIV Senemev será realizado no Centro Universitário de Brasília (UniCeub), na Asa Norte. São esperados cerca de 150 profissionais do todo o país, ligados à área de educação, entre docentes, coordenadores de curso e estudantes. O encontro é organizado pela Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNEMV/CFMV).
As diretrizes nacionais curriculares, o ensino a distância (EaD), os métodos ativos de ensino-aprendizagem e as alternativas ao uso de animais no ensino serão os temas do segundo dia do encontro, todo focado na discussão das pautas voltadas ao dia a dia da Educação da Medicina Veterinária.
Porém, ainda na abertura, haverá o lançamento do 3º Ciclo de Acreditação dos Cursos de Medicina Veterinária. As instituições de ensino superior que oferecem o curso podem aderir, preenchendo formulário de inscrição e termo de compromisso de participação voluntária, além de cumprir os requisitos e enviar informações e documentos comprobatórios. A candidatura não substitui o reconhecimento já realizado pelo Ministério da Educação (MEC).
“O selo de acreditação do CFMV é o reconhecimento formal da competência de programas de ensino de Medicina Veterinária de uma determinada instituição, para realizar as tarefas de educação, treinamento e avaliação dos estudantes, segundo requisitos de excelência pré-estabelecidos”, explica o presidente da CNEMV.
Serviço:
XXIV Seminário Nacional de Educação da Medicina Veterinária (XXIV SENEMEV)
Data: 6 e 7/5/2019
Local: UniCEUB, auditório do Bloco III
Endereço: SEPN 707/907 – Asa Norte, Brasília-DF
WVA comemora Dia Mundial da Veterinária premiando associações que melhor promoveram a vacinação
Anualmente, o último sábado do mês de abril é dedicado ao Dia Mundial da Veterinária. A data foi estabelecida pela Associação Mundial de Veterinária (WVA), em 2000. Para Rafael Gianella Mondadori, presidente da Comissão de Educação da Medicina Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNEMV/CFMV), a data tem a função de “mostrar à sociedade o que realmente é a profissão de médico-veterinário. Esse dia foi criado para mostrar suas outras atividades, pois é uma das profissões-chave da saúde única, atuando tanto na saúde do animal quanto na saúde humana e ambiental, contribuindo, com isso, para o bem-estar da sociedade”.
Em função do Dia Mundial da Veterinária e com o apoio da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a WVA estabeleceu uma premiação para reconhecer as associações que se destacaram nos temas definidos anualmente. Em 2019, a data será celebrada com base no tema “O valor da vacinação”, considerada uma ferramenta preventiva no arsenal de qualquer médico-veterinário, sendo, ainda, promoção de saúde animal e humana.
Será premiada a instituição que melhor promova o tema, tendo como critérios de avaliação as contribuições e conquistas; o envolvimento da área e do público geral; a colaboração com o setor da saúde pública; a cobertura midiática e iniciativas de acompanhamento posteriores. Neste ano, o prêmio, no valor de USD$ 2.500, ganhou a parceria da organização não governamental internacional Health for Animals.
A edição anterior teve como tema “O papel da profissão veterinária no desenvolvimento sustentável para a melhora de meios de subsistência, alimentação e segurança”. A vencedora foi a Associação Veterinária da Uganda (Uganda Veterinary Association), que deu visibilidade ao tema através de coletivas de imprensa, documentário, entrevistas para rádios, marchas, seminários, serviços gratuitos e treinamentos em fazendas.
CFMV prorroga prazo da Resolução que regulamenta os cursos de auxiliar de veterinário
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) prorrogou para o dia 28 de julho de 2019 a entrada em vigor da Resolução CFMV nº 1259, de 28/2/2019. O documento regulamenta os cursos de auxiliar de veterinário e determina os conteúdos necessários para garantir a qualificação profissional.
A resolução exige, por exemplo, que os cursos ensinem sobre contenção física e manejo dos animais, noções de anatomia, fisiologia veterinária, zoonoses de interesse da saúde pública, comportamento e bem-estar animal. Também estabelece que a grade curricular aborde cuidados e procedimentos com o paciente, que vão da nutrição à aplicação de medicamentos, passando pelo auxílio em práticas como colheita de material biológico, exames de imagem e de biópsia, incluindo centros cirúrgicos, além de cuidados com a higiene da infraestrutura hospitalar e a destinação de resíduos.
Todos esses conteúdos exemplificados só podem ser ministrados por médicos-veterinários com inscrição regular no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) de sua atuação.
A norma define a carga horária mínima de 120 horas para os conteúdos e em sistema de ensino presencial. Ainda determina treinamento prático supervisionado por médico-veterinário, com carga mínima de 80 horas.
É facultativo à entidade promotora do curso requerer seu cadastro perante o CRMV, mas é obrigatório que a instituição tenha responsável técnico (RT) médico-veterinário respondendo pelo curso. Além disso, somente os auxiliares egressos dos cursos cadastrados poderão se inscrever no CRMV e ter carteira de auxiliar de veterinário.
A decisão de prorrogar a data de entrada em vigor da Resolução aconteceu na CCCXXIII Sessão Plenária Ordinária do CFMV, por meio da Resolução nº 1266, de 24 de abril de 2019.
Médicos-veterinários podem se vacinar contra a gripe a partir do dia 22
Profissionais fazem parte de grupo prioritário para imunização da influenza e podem procurar o posto de vacinação de 22 de abril a 31 de maio
O Ministério da Saúde lançou, na última quarta-feira (10), a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza (gripe) 2019. A ação, denominada Movimento Vacina Brasil, pretende vacinar 58,6 milhões de pessoas até o dia 31 de maio. Os médicos-veterinários fazem parte do grupo de profissionais de saúde, prioritário para vacinação.
No período de 22 de abril a 31 de maio, os profissionais podem procurar os postos de atendimento. Caso haja recusa em oferecer a dose da vacina, é possível denunciar na Ouvidoria do SUS, pelo número 136, ou na Secretaria de Saúde do município. Também fazem parte dos grupos prioritários: povos indígenas; puérperas (mulheres até 45 dias após o parto); idosos (a partir de 60 anos); professores; pessoas portadoras de doenças crônicas e outras categorias de risco clínico; população privada de liberdade, incluindo adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medida socioeducativa; e funcionários do sistema prisional. Crianças e gestantes têm prioridade de vacina de 10 a 18 de abril
MEDICINA VETERINÁRIA
De acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS/MS) nº 287, de 08 de outubro de 1998, a Medicina Veterinária faz parte do rol de profissões da área de saúde, ao lado de assistentes sociais, biólogos, biomédicos, profissionais de educação física, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas, odontólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
Os médicos-veterinários atuam em diversas frentes e estão inseridos em atividades que vão desde a gestão até a vigilância epidemiológica e sanitária, o que os torna mais suscetíveis à doença. A escolha dos grupos prioritários que recebem a vacina gratuitamente segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, reafirma a importância e a necessidade da vacinação do médico-veterinário, principalmente em razão da origem das gripes suínas e aviárias, que podem colocar em risco a saúde do profissional.
DOENÇA
A influenza (gripe) é uma doença contagiosa, razão pela qual se dissemina rapidamente. Nas épocas epidêmicas, fica praticamente impossível evitar o contágio, pois o vírus circula nas aglomerações, como escolas, empresas e instituições, e a pessoa infectada pode em pouco tempo infectar todos os seus contatos.
SAIBA MAIS:
A Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNSPV), do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), trabalha em prol de tornar reconhecidas a presença, a participação e a importância do Médico Veterinário na Saúde Pública. Promove ainda a saúde humana e animal, contribuindo para a prevenção de doenças e conscientizando os profissionais, gestores e sociedade sobre o papel da profissão para a saúde das populações.
Nos últimos anos, o CFMV obteve grandes conquistas para a Medicina Veterinária, como, por exemplo, a inclusão do Médico Veterinário no NASF, fortalecendo o reconhecimento da profissão na área da saúde. Diversos seminários, fóruns e participações em eventos, além de elaboração de artigos e pareceres na rotina da CNSPV, têm contribuído para este reconhecimento.
Confira o Manual de Procedimentos para Vigilância e Controle de Leishmanioses nas Américas
A Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) lançou, no mês de março, o Manual de Procedimentos para Vigilância e Controle de Leishmaniose nas Américas. Com o objetivo de ser um instrumento de apoio às áreas que trabalham com a doença nos países endêmicos, a publicação é resultado de um trabalho da OPAS em conjunto com especialistas e representantes dos Ministérios da Saúde nos diversos países.
A ideia é que os profissionais utilizem o Manual como ferramenta de trabalho para ampliar o conhecimento sobre a doença. O documento também é uma base de apoio aos Programas Nacionais de Controle da Leishmaniose e as Áreas de Vigilância em seus respectivos processos de estruturação de serviços de saúde.
A publicação, escrita em espanhol, tem 166 páginas e apresenta um compilado completo da doença, com temas que vão desde Epidemiologia, Imunopatogenia, Manifestações Clínicas, até Tratamento.
A Organização Pan-americana da Saúde lançou também outra fonte de consulta sobre a doença: “Leishmanioses: Informe Epidemiológico nas Américas” (em português).
Nele é possível entender a evolução da doença ao longo dos anos (até 2017), com gráficos comparativos e imagens, e também ver os últimos dados sobre as ações estratégicas de combate à doença.
Tire duas dúvidas, sobre a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), aqui.
Estão abertas as inscrições para o Amazonvet 2019
Estão abertas as inscrições para o II Congresso dos Médicos Veterinários da Amazônia Legal – AMAZONVET 2019. O evento acontece de 20 a 22 de agosto/ 2019, no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, em Belém/PA. O Congresso já é considerado um dos maiores eventos de Medicina Veterinária da Amazônia Legal.
O Amazonvet tem como objetivo socializar o conhecimento, a produção científica, atualizar, trocar experiências e integrar profissionais e acadêmicos da medicina veterinária das mais diversas áreas, além de promover discussões para os problemas enfrentados na Região Amazônica. Dentro do Congresso também ocorrerá o I Congresso Nacional de Animais Selvagens.
O evento conta em sua grade de programação com cursos pré-congresso, palestras, mesas redondas, simpósios satélites e sessões de apresentação de resumos em formato de pôsteres, além da feira de expositores. Os eventos terão a participação de profissionais de renome nacional e internacional.
Serão abordados temas na área de pequenos e grandes animais, saúde pública, animais selvagens, empreendedorismo, agronegócios, meio ambiente, sustentabilidade, produção e defesa animal, entre outros.
O AMAZONVET é promovido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Pará (CRMV-PA) com o apoio do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), dos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (CRMV´s) e das Instituições de Ensino Superior da região.
I Congresso Nacional de Animais Selvagens
Belém também será sede do I Congresso de Animais Selvagens. Este evento é orientado pela Comissão Nacional de Animais Selvagens do CFMV.
O Congresso tem o objetivo de criar o primeiro espaço nacional para fomento do conhecimento, capacitação, network e valorização dos acadêmicos e profissionais de Medicina Veterinária e Zootecnia e da área de animais selvagens, por meio da publicação de artigos, painéis de discussão e palestras nacionais e internacionais.
Por se estar em plena Amazônia legal, onde existe uma vasta fauna de animais selvagens, pretende-se reunir o melhor da comunidade científica para troca de conhecimentos.
Serviço
II AMAZONVET e I Congresso Nacional de Animais Selvagens
Data: 20 a 22 de agosto de 2019
Local: Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia – Belém/PA
Inscrições e informações: www.amazonvet2019.com.br
Comissão de Saúde Pública propõe criar guia de bolso sobre Leishmaniose
Em reunião realizada nos dias 21 e 22 de março na sede do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a Comissão de Saúde Pública Veterinária (CNSPV) organizou a agenda de trabalho para 2019 e o primeiro assunto da pauta foi a proposta sobre a criação de um guia digital de bolso da Leishmaniose Visceral para orientar os médicos-veterinários e harmonizar as informações sobre transmissão, tratamento e normativos legais. A ideia é iniciar conversas com a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa) e com a associação científica Brasileish para que o material seja produzido em parceria com essas instituições e contemple as diferentes visões acerca dessa zoonose.
“Queremos unir vários pensamentos sobre a Leishmaniose – saúde pública, área clínica e pesquisa científica –, para que o médico-veterinário tenha um guia completo e didático, com linguagem acessível e acreditado por instituições que dominam as várias vertentes da doença e tenham capilaridade para uma divulgação mais eficaz”, explica o presidente da CNSPV, Nélio Batista de Morais.
Na proposta da Comissão, a versão impressa seria distribuída apenas para universidades, unidades de vigilância de zoonoses, órgãos públicos de saúde e meio ambiente, além de instituições científicas.
Durante os dois dias de reunião, os membros da CNSPV ainda apreciaram onze processos administrativos para responder questões enviadas por órgãos públicos sobre assuntos diversos, como unidades móveis de castração de animais, eutanásia e inserção do médico-veterinário no processo de reestruturação do Ministério da Saúde, entre outros temas.
O perfil do profissional do futuro está na Revista CFMV 79
Genética e bem-estar animal são áreas em expansão na Medicina Veterinária e Zootecnia e prometem atrair cada vez mais profissionais nos próximos anos. A visão de nove empregadores de diversas áreas sobre o futuro das profissões é tema da capa da edição 79 da Revista CFMV, já disponível no portal do Conselho Federal de Medicina Veterinária.
A recém-lançada revista tem ainda a estreia da coluna Ética e Legislação, assinada pelo médico-veterinário Ismar Araújo de Moraes, presidente da Comissão Nacional de Ética e Legislação (Conel/CFMV). Uma reportagem e um artigo técnico aprofundam a questão do ensino a distância, tema da Resolução CFMV nº 1.256. Tuberculose bovina e Programas de Residência e Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária são outros temas técnicos abordados pela nova edição.
O Suplemento Científico traz três relatos de caso e uma revisão de literatura, com destaque para artigo inspirado pelo resgate de animais após o desastre da barragem de rejeitos de Mariana (MG), intitulado Medicina Veterinária de megacatástrofes: um panorama do maior desastre antropogênico na História do Brasil.
Corte estético de cauda e orelha de animais é crime ambiental
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) proíbe as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural dos animais. As resoluções do CFMV nº 1027/2013 e 877/2008 vedam o corte de cauda (caudectomia), de orelhas (conchectomia) e a eliminação das cordas vocais (cordectomia) em cães. Também não permite a retirada das garras em felinos (onicectomia).
Essas intervenções cirúrgicas meramente para fins estéticos são consideradas mutilações e maus-tratos praticados contra os animais. A Constituição Federal veda práticas que submetam os animais à crueldade (artigo 23, inciso VII; e artigo 225, § 1º e inciso VII) e o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) considera crime as práticas de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
Por isso, qualquer pessoa que realize esse tipo de procedimento em animais está cometendo crime ambiental e deverá responder civil e criminalmente. Já o médico-veterinário que fizer uma intervenção dessa natureza, se não por motivo de saúde, ainda estará sujeito a processo ético-disciplinar, conforme prevê o Código de Ética e a resolução do CFMV de combate aos maus-tratos (1.236/2018).
Essas cirurgias são admitidas apenas em casos específicos, com indicações clínicas e como forma de tratamento do paciente. “O animal com a orelha acometida por bicheira (miíase), por exemplo, sem nenhuma chance de cicatrização, pode ter a amputação da orelha recomendada como medida de controle da infecção, mas para fins estéticos a prática é considerada uma mutilação e, portanto, crime ambiental”, explica a médica-veterinária Liziè Buss, membro da Comissão de Bem-Estar Animal do CFMV.
O pequeno corte na ponta da orelha esquerda de gatos de rua, que são castrados dentro de um programa de captura, esterilização, vacinação e devolução, também é outra possibilidade permitida pela legislação. O objetivo é facilitar a identificação dos gatos já castrados e evitar que sejam desnecessariamente recapturados para outra intervenção. Nesses casos, em que a marcação é feita durante a cirurgia de castração, realizada por médico-veterinário, com o animal devidamente anestesiado, o procedimento não configura maus-tratos, nem ato de crueldade. Na verdade, serve de indicação para projetos de manejo populacional e humanitário de gatos, evitando prejuízos ao bem-estar dos animais já castrados.
Mesmo em casos excepcionais, como os citados, os procedimentos devem ser realizados exclusivamente por médico-veterinário, seguindo os padrões cirúrgicos e anestésicos de excelência para garantir o bem-estar animal.
Comportamento
Liziè explica que os cães se comunicam usando a linguagem corporal e as expressões faciais. Entre essas manifestações, a cauda e a orelha desempenham um papel essencial. “Os cães que dispõem de rabos e orelhas bem visíveis conseguem uma comunicação mais clara com outros animais, o que diminui a ocorrência de brigas, e também melhora a interpretação dos sinais para os humanos”, afirma.
Além disso, os cães de cauda comprida possuem essa estrutura anatômica como contrapeso em corridas. “O corte acaba interferindo no equilíbrio natural do animal”, afirma. Já o corte de orelha, ela acrescenta, “expõe o canal auditivo, deixando-o desprotegido e vulnerável à entrada de insetos e de água, o que pode favorecer a ocorrência de infecções”.
A médica-veterinária afirma que tanto o corte de cauda como o de orelha são procedimentos dolorosos para o animal. “Cortar o rabo de um cão significa amputar parte da coluna vertebral, cortando a medula. E a orelha é uma região muito irrigada e sensível, qualquer corte costuma causar bastante desconforto ao animal”, garante.
As vocalizações nos animais também são formas extremamente importantes de comunicação e provocar a mudez de um cão é um ato de crueldade. “A não ser que o animal tenha um câncer ou outro problema clínico importante, não há justificativa para isso”, afirma Liziè. Para os cães que latem muito, a especialista sugere técnicas de enriquecimento ambiental, de adestramento, de estimulação, de exercício e de gasto energético, as quais ajudam a acalmar o animal e a resolver a situação.
Retirar as garras dos gatos é outra prática desnecessária e que inibe um comportamento nato dos felinos que é escalar. Também impede o hábito de afiar as unhas, algo muito relacionado com relaxamento e os cuidados corporais dos gatos. Ela reforça: “Mutilar animais sem recomendação veterinária que seja para tratar o animal é crime ambiental e qualquer pessoa que o faça está sujeita às penalidades previstas em lei”.



