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O zootecnista faz a diferença no melhoramento genético de animais
O profissional de destaque dessa história é o zootecnista e doutor em Genética José Ribamar Felipe Marques. Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) há mais de 40 anos, atualmente Marques coordena o Programa de Melhoramento Genético de Búfalos do Estado do Pará, o Promebull Pará, realizado em convênio com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap).
O Promebull é um programa voltado para inovação, que envolve Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e manejo genético. O projeto visa ao macho e à fêmea como reprodutores com valores equitativos. Para isso, a fertilização “in vitro” de embriões (FIV) é a ferramenta e as boas práticas de manejo sustentável servem para embasar o pequeno produtor. “Ele entra no agronegócio do búfalo como protagonista, não como coadjuvante”, diz.
Hoje, o Promebull é um programa que já extrapolou as fronteiras do Pará, mas quando começou, em 2010, era um projeto apenas para a Ilha do Marajó. Desde a década de 1990, Marques trabalha no arquipélago paraense com a conservação de recursos genéticos animais, coordenando as ações do Banco de Germoplasma Animal da Embrapa Amazônia Oriental (Bagam). Foi, inclusive, responsável pela primeira importação da Europa de sêmen das raças Murrah (búfalos indianos que estavam na Bulgária) e Mediterrâneo (da Itália), realizada na década de 1980.
Desde então, Marques utiliza essas linhagens para fazer o melhoramento genético dos búfalos da Ilha, utilizando-se da inseminação artificial como ferramenta de manejo para maior eficiência reprodutiva. Isso vem aumentando a produtividade leiteira do rebanho bubalino marajoara, principal fonte de emprego e renda de pequenos produtores da pecuária familiar da região.
Atuando em 19 propriedades, o Promebull Marajó chegou a 192 crias, com o potencial de dobrar a produção bubalina leiteira. Antes desse trabalho visando ao melhoramento genético, as fêmeas produziam, em média, quatro litros de leite por dia. Com a introdução das linhagens de sêmen da Embrapa Amazônia Oriental, a expectativa é que os melhores animais atinjam uma produção diária de oito a dez litros.
O programa despertou o interesse das Associações Brasileira e Paraense de Criadores de Búfalos, bem como da Sedap, que viraram parceiros do projeto. Com esse reforço, em 2017, o Promebull expandiu-se e passou a ter abrangência estadual, voltado ao melhoramento genético do rebanho de búfalos de todo o Pará, estimado em 520 mil cabeças, segundo o Censo Agro de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Após acordo firmado recentemente com a Índia, o programa vai permutar sêmen de búfalos indianos e, já no primeiro semestre deste ano deve receber duas mil doses para inseminação. A expectativa é que, em até cinco anos, a produção diária de leite de búfala chegue a 14 litros por cabeça.
Em 2019, o Promebull deixou de ser um programa estadual e ganhou dimensão nacional. Já existe no Amapá e está sendo formatado para implantação no Amazonas e Maranhão. Também há parceiros interessados no Rio Grande do Sul e em outros estados do Nordeste.
Zootecnia social
“Esse programa nasceu numa época em que o governo tinha o lema de aumentar o emprego e a renda do produtor rural, num dos locais de mais baixo IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do país”, contextualiza Marques. “Com o Promebull, esperamos fixar as famílias à terra, aos seus locais de origem, ao campo, com maior conforto e qualidade e, com isso, permitir que produção de alimentos proporcione vida digna ao produtor familiar”, afirma.
O zootecnista explica que a base do programa é capacitar os membros das famílias para que eles fiquem mais aptos a desenvolver as atividades com excelência, melhorando a qualidade de vida e a realidade das pessoas. Apesar de envolver alta genética e biotecnologias, Marques tem convicção de que a Zootecnia muda o panorama econômico da região.
“A paisagem econômica da região muda com a introdução de artifícios zootécnicos que permitem alterar a realidade social. Temos certeza que a Zootecnia está impactando não só a cadeia produtiva dos búfalos, mas, especialmente, interferindo diretamente no bem-estar e na qualidade de vida dos criadores e produtores”.
Commodities e sustentabilidade
O pesquisador da Embrapa comenta que a carne já é commodity de grande importância para o Brasil e, nesse quesito, está na ponta do comércio e das exportações. “Precisamos melhorar a produção de leite. Não é aceitável que um país com o nosso potencial ainda importe leite do Uruguai e outros países. Não podemos permitir que isso ocorra”, defende.
Hoje, segundo o zootecnista, o Brasil possui uma pecuária leiteira e de corte sustentável, que não derruba mais uma árvore. “As áreas de pastagens estão diminuindo e a produção está aumentando. Os produtos que, até pouco tempo atrás não tinham qualidade, hoje disputam com outros países produtores os melhores e mais exigentes mercados do mundo”, destaca.
Profissional orgulhoso do ofício que exerce, Marques sente-se gratificado por trabalhar na produção sustentável de alimentos, vendo a Zootecnia capaz de suprir a manufatura por proteínas nobres, como carne, leite e seus derivados. “Trabalhamos a segurança alimentar associada ao conforto animal e tendo, por trás de tudo isso, o zootecnista moldando a produção animal cada vez mais sustentável”, comemora.
“O Brasil realmente precisava dessa Zootecnia atuante, que tem aumentado os índices de produtividade não só na bubalinocultura, mas em todas as espécies, dos pequenos aos grandes animais e, ainda, tornando-se protagonista, inclusive no ramo pet”, conclui.
Perfil
José Ribamar Felipe Marques formou-se em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, em 1974. Escolheu a profissão por vocação e pela influência do mundo agrícola, pois já era formado como técnico agrícola, trajetória da qual tem orgulho.
É mestre em Produção Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (1984) e doutor em Genética pela Universidade Estadual Paulista de Botucatu (1991). Ainda fez pós-doutorado em Genética na Universidade de Córdoba, na Espanha, em 2006, onde, também, fez Especialização em Conservação de Recursos Zoogenéticos.
Enfim, 80! Revista CFMV está on-line
Homenagem ao Dia do Zootecnista e cuidados com a saúde mental são os principais temas da nova edição
O número 80 da Revista CFMV está disponível no Portal CFMV e traz, em sua matéria principal, homenagem ao Dia do Zootecnista, comemorado em 13 de maio. Na capa, a profissional Dayanne Almeida, que há dez anos atua com ovinocultura na Nova Zelândia – chamado de “país das ovelhas” – mas tem forte presença nas redes sociais e, anualmente, promove no Brasil a Maratona da Ovinocultura, em faculdades e empresas, com o objetivo de promover esse ramo da pecuária. A história de Dayanne e de mais seis zootecnistas brasileiros foi tema da campanha que homenageia a versatilidade desses profissionais.
Paralelamente, as síndromes relacionadas ao estresse laboral têm acometido cada vez mais os médicos-veterinários. Dois artigos e a principal entrevista da publicação abordam o tema. Nesta, o intensivista Rodrigo Cardoso Rabelo, gerente do Departamento de Pacientes Graves de uma clínica em Brasília, tem se aprofundado cada vez mais no tema, participando de grupos de estudo e pesquisas. Em sua empresa, monitora o bem-estar dos funcionários e alerta sobre a importância de todos os empregadores fazerem o mesmo. Também diferencia os sintomas da síndrome de burnout e da fadiga por compaixão, síndromes que têm acometido cada vez mais profissionais da Medicina Veterinária.
A abertura do 3º Ciclo de Acreditação dos Cursos de Medicina Veterinária e o novo formato da Câmara Nacional de Presidentes, bem como a reformulação do Código de Ética do Zootecnista são os destaques institucionais da edição 80, cuja versão física está em fase de impressão e, em junho, será distribuída para bibliotecas, instituições de ensino, entidades públicas e privadas e Conselhos Regionais de Medicina Veterinária. Mas não precisa esperar. Clique aqui, confira e comente nas nossas redes o que achou!
Começam em 3 de junho as inscrições para a Acreditação de Residência e Aprimoramento em Medicina Veterinária
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) lança o I Ciclo de Acreditação dos Programas de Residência e Aprimoramento em Medicina Veterinária. De acordo com o edital publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (21/5), a inscrição pode ser feita no período de 3 de junho a 16 de agosto. A ideia é avaliar a qualidade dos programas e chancelar aqueles que contribuem para a melhoria contínua dos médicos-veterinários.
“O selo de acreditação do CFMV permitirá aos profissionais recém-formados a fazer uma escolha mais qualificada sobre onde se especializar”, diz o presidente da Comissão Nacional de Residência em Medicina Veterinária (CNRMV/CFMV), o médico-veterinário Fábio Manhoso.
A adesão é voluntária e podem participar as Instituições de Ensino Superior (IES) que tenham curso de Medicina Veterinária exclusivamente no período diurno. As instituições deverão comprovar que o programa de Residência funciona há, no mínimo, cinco anos; e o de Aprimoramento Profissional há, pelo menos, dez anos.
As IES interessadas devem submeter projeto pedagógico dos programas, relatório de casuística dos últimos três anos de cada programa, termo de autorização da pró-reitoria de pós-graduação, além de ficha de inscrição e termo de aceite da participação voluntária.
Após o encerramento das inscrições, o CFMV terá 90 dias para analisar as candidaturas e habilitar até cinco instituições que receberão visita in loco. Receberá o “Selo Ouro de Acreditado”, com validade de até cinco anos, o Programa de Residência ou Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária que atingir, na verificação in loco, 85% de avaliação. Já o “Selo Prata de Acreditado”, com validade de dois anos, será concedido aos programas que atingirem 75% dos pontos.
Programa de Pós-Graduação em Reprodução Animal na Amazônia abre inscrições para mestrado e doutorado

O Programa de Pós-Graduação em Reprodução Animal na Amazônia (ReproAmazon), criado a partir de uma associação entre a UFPA e a UFRA, está com inscrições abertas para as turmas 2019 de mestrado e doutorado acadêmicos. Os candidatos interessados podem se inscrever até 19 de junho, apenas por meio eletrônico, nos seguintes links:
– Link formulário inscrição MESTRADO: https://forms.gle/EmDavWFDmWhFjdpE8
– Link formulário inscrição DOUTORADO: https://forms.gle/V1HVcVxuX7RgS8Ee6
Vagas e público-alvo – No total, são 14 vagas para a turma de mestrado e 8 vagas para o doutorado, na Área de Concentração Reprodução de Animais Domésticos e Silvestres. Poderão participar da seleção para o mestrado, os graduados nas áreas de Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e áreas afins. Para a seleção do doutorado, o candidato deve possuir mestrado em qualquer uma dessas áreas ou em áreas afins.
Taxa de inscrição e isenção – A taxa de inscrição para cada processo seletivo é de R$100,00, mas pode solicitar isenção, até o dia 27 de maio, o candidato que, cumulativamente: comprove inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e for membro de família de baixa renda, nos termos do Decreto nº 6.135, de 26 de junho de 2007.
O candidato que desejar solicitar a isenção da taxa de inscrição deve acessar o link: https://forms.gle/UwiKcKNNrXw4CRsb6. Já os candidatos que não se enquadram nos critérios para obter a isenção ou que não tiveram a solicitação deferida devem acessar o Tutorial de emissão e pagamento da GRU e seguir os passos recomendados no documento.
Seleção – As duas seleções do ReproAmazon contemplam prova teórica escrita (Eliminatória e Classificatória) e análise do Curriculum Vitae documentado (Classificatória). À seleção de doutorado acrescenta-se, ainda, a terceira etapa, que trata da análise e defesa do projeto de pesquisa (Classificatória).
Para mais informações sobre as seleções de mestrado e doutorado do ReproAmazon, consulte os editais:
– Edital Mestrado ReproAmazon
– Edital Doutorado ReproAmazon
Para mais informações sobre o ReproAmazon, leia:
UFPA e UFRA criam programa de pós-graduação na Região Norte
Leia também:
Programa de Pós-Graduação em Saúde Animal na Amazônia abre inscrições para a segunda turma de mestrado de 2019
CFMV e CRMVs debatem juntos novas normas para o Sistema
A primeira Câmara Nacional de Presidentes do Sistema CFMV/CRMVs (CNP) de 2019 contou com um novo formato. Representantes dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs) se dividiram, ao longo de três dias, em grupos de trabalho para sugerir alterações em três resoluções do Sistema. O evento aconteceu na sede do CFMV, em Brasília, de 13 a 15 de maio.

"É uma alegria muito grande estar com a casa cheia e presidindo essa reunião do Sistema CFMV/CRMVs. O Conselho é de todos. É fundamental ouvirmos quem está na ponta para atuarmos com eficiência e celeridade”, disse o presidente do CFMV, Francisco Cavalcanti de Almeida.
Os 27 presidentes dos Conselhos Regionais estiveram presentes. Separados em três grupos e com a participação de outros profissionais eles chegaram ao consenso sobre a reformulação das resoluções do federal nº 875, que aborda o processo ético; nº 958, sobre eleições nos conselhos; e nº 1015, que modifica as estruturas dos estabelecimentos veterinários.
Deputado federal Fred Costa, Francisco Cacalcanti, Luiz Carlos Barboza Tavares, vice-presidente do CFMV, e os conselheiros Therezinha Porto, Irineu Benevides e Fábio Holder ( da esquerda para direita)
Quem também prestigiou o evento foi o deputado federal Fred Costa, autor de vários projetos de lei (PLs) no Congresso Nacional que envolvem animais e áreas de Medicina Veterinária e Zootecnia, como por exemplo o PL 48/2019, que cria o serviço de Disque Denúncia de Maus Tratos e Abandono de Animais. Outro projeto de lei do dele é o 59/2019, que estabelece a obrigação dos estabelecimentos veterinários, quando constatarem indícios de maus tratos nos animais atendidos, comunicarem imediatamente o fato à Polícia Judiciária. “ É uma bandeira fundamental do meu mandato a questão animal. Vamos ter diálogo permanente com o CFMV. Temos muito motivos para caminharmos unidos”, declarou o deputado.
“As resoluções precisavam de atualização e modernização. Elas abrangem temas relacionados ao uso da internet, como o voto eletrônico e a emissão on-line de certidões, e devem ser adequadas às mudanças ocorridas nos códigos Civil e Penal”, explica Erivânia Câmelo, chefe de gabinete da Presidência do CFMV.
As contribuições dos Regionais serão analisadas com prioridade, em breve, pela plenária do Conselho Federal.
Participação dos CRMVs
Para a presidente do Regional do Pará (CRMV-PA), Maria Antonieta Martorano Priante, é sempre uma satisfação participar das Câmaras; uma oportunidade de aprender e compartilhar as experiências. "Estamos agora revendo e dando contribuições para essas três resoluções e é muito importante que a gente faça parte, com a experiência de cada Regional, para que realmente as normas tenham participação de todos e sejam aplicáveis nos estados", afirma.

“Participando hoje da Câmara Nacional de Presidentes, vejo a importância que nós temos em trazer novas ideias, trazer as dificuldades vivenciadas pelo nosso estado e poder contribuir com o sistema”, relatou o presidente do CRMV-ES, Marcus Campos Braun.
Para Rodrigo Bordin Piva, presidente do CRMV-MS, é muito importante a realização da Câmara, “espaço onde a gente consegue compartilhar as experiências de outros estados. Ela traz essa troca de informações com os colegas e permite a discussão de propostas das resoluções, portarias e RTs“.
Marcos Vinícius de Oliveira Neves, presidente do CRMV-SC, avalia o formato como ideal par discutir os problemas, e com isso construir melhores soluções. “Essas propostas serão transformadas em resoluções que vão para a prática daqui pra frente”.
O presidente do CRMV-BA, Altair Santana de Oliveira, considera importante discutir resoluções impactantes para as classes da Medicina Veterinária e da Zootecnia. "Na Bahia, estamos num esforço constante de nos comunicarmos com a sociedade, por meio das mídias sociais, jornais, rádios. Muitos profissionais não entendem o papel do Conselho”.
Marcelo Weinsten Teixeira, presidente do CRMV-PE, avaliou este modelo de evento como uma mudança salutar. “Discutirmos e ouvimos as experiências dos colegas presidentes. Uma oportunidade de conhecermos melhor o sistema”, afirmou.
O Evento
No primeiro dia da CNP foram apresentados os resultados do trabalho do Departamento de Comunicação do CFMV; o projeto de recadastramento de profissionais do Sistema e a nova carteira de identidade dos Médicos Veterinários e Zootecnistas.
No último dia, os CRMVs tiveram a oportunidade de apresentar as ações desenvolvidas em cada estado e as dificuldades encontradas, além da troca de experiências.
"A nossa missão é fiscalizar e precisamos retornar à sociedade os resultados. Saio daqui realmente satisfeito com a participação dos meus colegas” finalizou o presidente do CFMV.
Confira mais fotos da Câmara de Presidentes, aqui, no Flickr do CFMV
ESPECIAL – Gestão e Produtividade na Zootecnia – Entrevista com Antonio Chaker
O brilho no olhar é uma das características do zootecnista Antonio Chaker ao falar da profissão. "A zootecnia deixou de ser uma profissão para mim e virou um propósito de vida, um propósito de carreira, o que me traz significado para acordar todo dia, cada dia mais cedo, e fazer cada vez mais." Graduado em zootecnia e mestre em produção animal pela Universidade Estadual de Maringá (PR), o consultor sênior atua há 17 anos em projetos de gestão agropecuária e tem como foco a ampliação de gerenciabilidade e lucro de fazendas. Chaker também é coordenador do Instituto Inttegra, que monitora 420 fazendas no Brasil, Paraguai e Bolívia.
A sua jornada de trabalho não para por aí. Ele ministra treinamentos desde 1997 e é colunista da Scot Consultoria, Giro do Boi (Canal Rural), entre outras mídias. Atualmente, dedica-se a adaptação e aplicação dos métodos de gestão para resultados à realidade especifica do setor agropecuário. Leia abaixo a entrevista completa
1. Por que escolheu a zootecnia?
Prestei vestibular no início dos anos 90, quando a zootecnia, apesar de já ter uma história, era recente em comparação à imagem que temos hoje. Eu sempre gostei muito de administração, produção e, naturalmente, escolhi fazer vestibular para administração. Até que um tio, que era produtor, me disse: “Você já pensou em fazer Zootecnia? Ela é a área que ajuda a aumentar a produção da fazenda”. E eu pensei: então é isso. Fui para Maringá (PR) fazer o vestibular e fiquei em uma república de estudantes de zootecnia. Ali tive a oportunidade de conversar com eles e entendi que a zootecnia era a profissão da minha vida. Entrar dentro de uma fazenda e garantir que ela fique melhor, que ela produza mais, que ela ganhe mais dinheiro. Decidi fazer zootecnia porque entendi que ela ia me ensinar a ser uma agente de transformação.
2. Quando escolheu a zootecnia, queria trabalhar com o que?
Durante o processo da faculdade, eu naveguei por diversas áreas. Estagiei em áreas como a suinocultura, caprinocultura até bovinocultura. Quando eu tive a oportunidade de estagiar com bonivicultura, percebi que de todas as áreas ela era a mais apaixonante. Eu tinha uma tendência a gostar de fazenda, sou filho de produtor, então eu tinha essa preferência pela pecuária de corte. Quando me formei, trabalhei em uma fazenda no Mato Grosso do Sul e entendi que a profissão de zootecnista era muito poderosa. Eu já tinha uma predisposição a gostar de pecuária e, a partir desse momento, foi um gatilho para continuar a carreira dentro da atividade, que foi evoluindo para gestão da pecuária, que evoluiu para gestão agropecuária, área em que cuidamos não apenas dos aspectos da pecuária, mas também da agricultura.
3. Pode falar um pouco mais sobre o seu trabalho e a sua trajetória profissional?
Eu sou formado na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Logo que me formei fui trabalhar em uma fazenda no Mato Grosso do Sul e fiquei lá por quase três anos. Morei na fazenda, entendi o sistema e percebi que eu precisava de mais. Então voltei para Maringá para fazer mestrado. Estudar depois de uma temporada no campo foi muito poderoso. O mestrado me ensinou a ler, a escrever, a falar em público. Durante esse processo, surgiram algumas demandas de consultoria. Naturalmente, finalizado o mestrado, potencializei essas demandas, não apenas na área de gestão, mas também de produção. Junto com o professor Antonio Ferriani Branco, fundei em 2002 a Terra Desenvolvimento (empresa de consultoria), onde permaneci até 2015. Depois disso decidi me concentrar no método Métricas Gerenciais e criei o Instituto Inttegra. Algumas empresas de consultoria, como a Terra Desenvolvimento, se tornaram franqueadas do Instituto. Hoje são oito empresas franqueadas, todas com zootecnistas, e atendemos 420 fazendas. Temos quase de 60 pessoas no campo, vindas dessas empresas. Assim, segui uma trajetória de graduação, fazenda, mestrado, consultoria e franqueadora.
4. Qual a importância da zootecnia e como ela faz e pode fazer a diferença?
Eu sempre falo que a gente precisa navegar nas posições proximal e distal, ou seja, ver de perto e ver de longe. A zootecnia é fundamental para que a gente possa ter entendimento do processo, que é o proximal, como o sistema de produção, da nutrição, do manejo de pastagens, mas ela também traz a visão distal, que é a visão da interação de todos esses fatores, a visão do todo. A zootecnia foi fundamental para que eu tivesse esse entendimento. As pessoas me perguntam, “você trabalha com gestão, por que não fez administração?”. Eu respondo que qualquer gestor do processo agropecuário só vai conseguir ter uma excelente eficiência se ele dominar o sistema de produção. E o sistema de produção é técnico. Por isso você vê muitos técnicos operando com gestão, mas você não vê especialistas em gestão trabalhando diretamente na agropecuária. Quando eu falo diretamente, é na produção, na fazenda. Por que? A operação do dia a dia da fazenda é fundamental para que você possa tomar as melhores decisões gerenciais. E essa é a grande vantagem da zootecnia. Pelo fato de ela oferecer tanto a visão proximal quanto a visão distal, faz com que possamos navegar em todos as áreas. A zootecnia conecta todos os aspectos da produção. É interessante quando você percebe os cargos de liderança nas fazendas, nas indústrias e, muitas vezes, em cooperativas de produção. É muito comum você ter o zootecnista liderando esses processos. Isso explica também o tipo de formação e talvez o tipo de profissional que a zootecnia atrai. Pessoas que têm uma visão produtiva, uma visão de desenvolvimento, uma visão de crescimento, e é por isso que elas acabam liderando as operações agropecuárias.
5. Como avalia a zootecnia no Brasil? Aponta alguns caminhos que poderíamos seguir?
A zootecnia hoje tem sido fundamental para a transformação que o Brasil vive no setor agropecuário. Uma gratidão muito grande à zootecnia, às academias, aos institutos de pesquisa, à iniciativa privada. Acredito que a zootecnia deve continuar crescendo e atualizada das novas frentes. É muito legal perceber as principais universidades do país olhando para esse caminho. Por exemplo, o zootecnista caminhando para a pecuária de precisão, big data, machine learning, automação.
6. Você acredita que a zootecnia vem como opção de formação para a área tecnológica?
Temos a zootecnia como a principal formação no caminho da área tecnológica, no que diz respeito a coleta, análise e processamento de dados, entregando cada dia mais informação. A evolução da zootecnia segue por um desses caminhos. Em conjunto a isso ela também avança numa segunda vertente, que é o aspecto de desenvolvimento humano, na qual o zootecnista é um agente de transformação. Ele passa a dominar os aspectos de gestão de recursos humanos, entendendo as ferramentas para que isso aconteça. São ferramentas de desenvolvimento de equipe, que estabelecem processos de feedback e entregam a um líder a condição para exercer o seu papel. Temos então o analista técnico (big data, automação) e o gestor de pessoas. E em um terceiro eixo temos os aspectos de gestão em si. Quando falo isso são os fundamentos para se estabelecer um plano estratégico plurianual, definir metas, construir um processo de gestão de produção completamente integrado, para que seja possível respeitar o meio ambiente, produzir mais com menos, preservar o contexto da felicidade humana, respeitando naturalmente os animais. Então são três aspectos: tecnológico, humano e de gestão. Claro que nunca deixando de lado a nossa essência, que é o da produção animal, da produtividade, do conhecimento profundo das diferentes áreas técnicas em que atuamos.
7. Quais dicas você daria para quem está começando?
A principal dica é reconhecer que um zootecnista ou uma zootecnista, principalmente recém-formado, tem que se entender como um agente de transformação. Eu brinco que você não é só um zootecnista, você é um zootecnista transformador. Ou seja, esse jovem que está iniciando a carreira deve trabalhar com toda a sua energia para quando entrar em um processo de produção, em uma fazenda, indústria ou cooperativa, qualquer ambiente onde atuar, entre com um olhar de ruptura, de o que vou promover de mudança, o que é necessário fazer agora. Todo início de carreira exige um pouco mais de resiliência, de superação, de paciência. É importante que ele saiba que o início vai exigir que ele trabalhe umas horas a mais, e que ele possa conquistar o seu espaço mostrando como realmente pode fazer a diferença naquela corporação. Foi assim com 100% das pessoas que eu conheci que realmente queriam fazer. Elas não tinham experiência, mas tinham vontade. Eu costumo dizer que a zootecnia dá a faca e o queijo, mas a fome deve vir do zootecnista. A América do Sul precisa muito do zootecnista. A gente ainda tem níveis baixos de produtividade, níveis baixos de margem, quando você pensa na média do país em que vivemos, apesar de termos evoluído muito nos últimos anos. Nunca houve tanta oportunidade para o zootecnista transformador como temos agora. Então essa fome, essas horinhas a mais e essa capacidade de ser uma agente de mudança, de não se conformar com o status quo é a grande dica que tenho para quem está começando.
8. Você escreveu o livro “Como ganhar dinheiro na pecuária. Os segredos da gestão descomplicada”. Pode falar um pouco sobre a ideia do livro e se essa é uma realidade no cenário brasileiro?
O livro era uma ideia antiga que eu protelava em razão de outros compromissos. Até que o Fábio Dias, zootecnista inspirador da minha geração, me incentivou, falou “vai, escreve, vai que eu te apoio”. E com esse incentivo eu pensei que a gente já trabalha há 20 anos com isso, a gente já tem um método de trabalho. O livro é uma documentação bem-humorada, detalhada e informal, mas com todos os processos que uma fazenda deve realizar para ganhar mais dinheiro. O livro segue o nosso aprendizado, nesses anos em que trabalhamos impactando mais de 1000 propriedades, com o que funcionou e não funcionou ao longo desses anos. Com tudo o que aprendemos, passo-a-passo, contas, etapas, problemas que podem surgir. Para um leitor, que mesmo que não seja técnico, entenda que sempre existe um processo. Não existe um caminho fácil, não existe caminho curto. Porém, quando você segue um ritual, ou seja, primeiro eu descubro onde estou, depois eu estabeleço onde quero chegar, no local onde quero chegar devo respeitar tais elementos, depois devo executar, respeitando as características da execução, faço então uma análise de risco, entendo qual equipe vai executar, e faço o controle. É um processo de gerenciamento muito aplicado, que faz com que as fazendas entreguem melhor resultado. Hoje, mais de 93% das fazendas que utilizam esse processo entreguem melhores resultados econômicos e financeiros. A ideia do livro é também dar acesso às pessoas que não têm condições de contratar uma consultoria. Fui porta-voz de um grupo de consultores que já utilizam esse método.
9. O que o Brasil tem como exemplo que pode levar para o mundo? O que fazemos aqui que dá certo?
O Brasil tem uma grande diferença dos outros países, ele é enorme. As dimensões, o potencial. Aqui a gente tem solo, tem água, tem gente. Temos muita coisa boa desenvolvida dentro dos nossos sistemas de produção e acredito que o Brasil pode levar isso para o mundo. Por exemplo, acho difícil encontrar alguém que saiba manejar pastagem tropical melhor que a gente, apesar de pastagem ainda ser um desafio. Muitos produtores, técnicos e consultores dominaram esse aspecto. A suplementação a pasto também é algo muito especial aqui. Algumas técnicas de determinação intensiva a pasto, mais uma vez, também somos craque e podemos ensinar para o mundo. Tudo o que for de tecnologia de produção baseada em ambiente pastoril, de alto nível de produtividade, de alta qualidade, somos imbatíveis.
10. E o que funciona por aí, em outros países, que o Brasil poderia estudar e aplicar?
O que podemos aprender com os outros é de fato uma disciplina produtiva. Acredito que as oportunidades que os países mais desenvolvidos têm é a rigidez na disciplina produtiva. Existe algo que para nós está chegando agora, que é fazer mais com menos. A Europa, por exemplo, já passou pela fase de altíssima produtividade e agora passa por uma fase de otimizar o uso de recursos, respeito ao meio ambiente. Quando falamos em meio ambiente o Brasil respeita muito. Temos muito mais reservas que a maioria dos países. Do ponto de vista ambiental, apesar de toda a pressão, quando você analisa qualquer número, a gente tem muito a ensinar para o mundo. Mas naturalmente os países desenvolvidos podem nos ajudar a ter um melhor uso dos recursos, dos insumos, que é realmente produzir mais com menos, produzir alimento funcional, produzir com maior qualidade. Especialmente, produzir no aspecto de comercialização, onde sabemos que podemos evoluir. Nosso produto tem melhorado muito, mas o preço médio, principalmente da carne, que fica aquém de outros países. Nosso grande aprendizado é conseguir comercializar melhor os nossos produtos, que já têm qualidade.
11. Você fala da zootecnia com muita paixão. Como isso se mantém depois de tanto tempo?
Sobre a zootecnia tenho uma palavra: gratidão. Eu sou apaixonado, quase todos os zootecnistas que conheço são apaixonados. Tenho gratidão por tudo o que a zootecnia me entregou. Venho de ensino público, graduação e mestrado, e tenho muita gratidão ao que eu tive e vivi. A todos aqueles que fizeram zootecnia, acho que é uma obrigação devolver um pouco do que aprendemos ao longo da carreira para quem está começando. Voltar à universidade, conversar com os recém-formados e, se possível, gerar emprego ao zootecnista. É uma missão. A zootecnia deixou de ser uma profissão para mim e virou um propósito de vida, um propósito de carreira, o que me traz significado para acordar todo dia, cada dia mais cedo, e fazer cada vez mais.
Publicado o novo Código de Ética do Zootecnista
Mais claro e abrangente, o novo Código de Ética do Zootecnista foi aprovado em plenária pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), no dia 11 de abril, em Brasília (DF). Após 37 anos da primeira versão, o documento foi instituído pela Resolução nº 1267/2019 e publicado hoje no Diário Oficial da União. Ele entra em vigor na próxima segunda-feira, 13 de maio, data em que se comemora o Dia do Zootecnista.
As mudanças visaram acompanhar as mudanças na evolução da profissão, bem como novas resoluções do CFMV e a legislação em geral. O juramento do zootecnista passa a figurar no documento, além de menções à importância do bem-estar animal e da genética, temas ainda incipientes para a profissão, em 1982.
Assessor técnico da presidência do conselho, Fernando Zachhi destaca as seguintes inovações:
– Com uma visão de saúde única, destaca a importância do papel do zootecnista na promoção do desenvolvimento sustentável, preservação e conservação dos recursos naturais, bem como na manutenção e melhoria da qualidade da vida humana e animal.
– Reforça o compromisso de respeito à comunidade, ao cliente, ao paciente e a outros profissionais, dando ênfase à sua responsabilidade civil e criminal.
– Elenca os deveres do zootecnista quando assume o papel de Responsável Técnico, disciplinando também questões nas quais possa haver conflito de interesses para os profissionais que tenham atribuição de fiscalização.
– Regulamenta a conduta profissional diante de publicações científicas, na propaganda pessoal e nas divulgações em veículos de comunicação de massa.
“O objetivo do novo código é preservar os bons profissionais e atualizar as regras de conduta no exercício da Zootecnia. Trata-se de uma grande conquista para os 8 mil zootecnistas atuantes no Brasil”, afirma Wendell José de Lima Melo, conselheiro efetivo do CFMV.
Juramento e preâmbulo
Além de atualizar direitos e deveres de acordo para ajustá-los à evolução da profissão, o novo código terá estampado o Juramento do Zootecnista (que não constava do documento) e um preâmbulo. A proposta desse texto inicial é apresentar os objetivos do documento (“regula os direitos e deveres do profissional em relação à comunidade, ao cliente, ao paciente, a outros profissionais, ao meio ambiente”), a importância de sua observância no exercício da profissão (“Para o exercício profissional com integridade, respeito, dignidade e consciência, o zootecnista deve observar as normas de ética profissional previstas neste código, na legislação vigente e pautar seus atos por princípios morais de modo a se fazer respeitar, preservando o prestígio e as nobres tradições da profissão.”) e reforça que “A fiscalização do cumprimento das normas éticas estabelecidas neste código é da competência dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária”.
Justiça nega liminar contra a Resolução do CFMV que combate EAD
Na segunda-feira (6/5), a 6ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal indeferiu o pedido liminar da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), que solicitava a suspensão da Resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) nº 1.256/2019. O pedido de liminar também requisitava que o CFMV não divulgasse nem fizesse qualquer tipo de campanha de comunicação sobre a Resolução, que proíbe a inscrição de egressos de cursos de Medicina Veterinária realizados na modalidade de ensino a distância.
A Justiça Federal de 1º grau indeferiu o pedido de liminar com base no argumento de defesa apresentado pelo próprio CFMV, alegando que há falta de interesse processual, já que “não cabe mandado de segurança contra lei em tese”, conforme prevê a Súmula 266 do Supremo Tribunal Federal (STF). Dessa forma, a decisão judicial considerou sem fundamento o pedido da Associação, mantendo a eficácia da Resolução.
“A juíza acolheu a nossa tese e não concedeu a medida liminar para a entidade, mantendo a Resolução do CFMV em vigor e produzindo seus efeitos. Foi um primeiro passo da nossa constante luta pelo curso de Medicina Veterinária integral, presencial, com aulas práticas, estágio profissional e alunos com formação sólida”, defende o presidente do CFMV, Francisco Cavalcanti.
“Enquanto trabalhamos pela qualidade do ensino e dos serviços veterinários prestados, visando proteger a sociedade de profissionais despreparados, as faculdades particulares, que cobram caro pelos seus cursos, defendem na justiça a mercantilização da educação e a graduação em Medicina Veterinária a distância, algo que consideramos preocupante e perigoso para a população”, complementa.
#EADNÃO
O CFMV entende que a modalidade a distância impede a realização de aulas práticas essenciais para preparar o bom profissional. E destaca que o curso de Medicina Veterinária demanda inúmeras atividades práticas e de campo, como anatomia, fisiologia, clínica, cirurgia, patologia, análises laboratoriais, entre outras operacionais e de manejo técnico, cuja aprendizagem só ocorre por meio de aulas presenciais, conforme prevê a Resolução/CFMV nº 595/1992.
Sem a inscrição no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), quem tiver concluído o curso a distância fica impedido de exercer a profissão de médico-veterinário em todo o país. E os profissionais que ministrarem disciplinas ou estiverem envolvidos na gestão dos cursos a distância estão sujeitos à responsabilização ético-disciplinar.
Atualmente, a Portaria 1134/2016 (art1º, §1º) do Ministério da Educação (MEC) admite que 20% da grade horária da graduação de Medicina Veterinária seja realizada por aulas on-line. O CFMV defende a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 7036/2017, de autoria do atual ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que é médico-veterinário. A proposta limita a 10% a carga horária na modalidade semipresencial. “Defendemos a aprovação desse PL para que 90% das aulas sejam ministradas exclusivamente sob a modalidade presencial, inclusive, com estágio profissional”, argumenta Cavalcanti.
Para o presidente do CFMV, “os avanços tecnológicos são bem-vindos e podem ser facilmente aplicados a cursos de pós-graduação, quando o aluno já passou por amplo e árduo treinamento durante toda a graduação”.
